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"Falo a língua dos loucos, porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos." Luís Fernando Veríssimo

 

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

 
Minha garganta está entalada. Meus olhos seguram lágrimas desesperadas pra sair. É uma angústia forte demais, e não há ninguém com quem conversar. Meus amigos... Amigos? Estão... ausentes. Estiveram ausentes como nunca nos últimos anos. Assim permanecem. Algo me entala a garganta me sufoca. Eu não sei o que fazer. Poderia abandonar tudo. Poderia. Viver de minhas vontades, do que me faz feliz. E, de fato, o que mais tem me feito feliz, é estar distante de pessoas de modo geral. Pessoas falam demais. Pessoas são idiotas e ignorantes a maior parte do tempo. E eu também sou. Sinto que as coisas estão fora do eixo. Sequer sei se o que aqui escrevo faz qualquer tipo de sentido. Isso de nada importa, pois ninguém vai ler mesmo. Isso é só um desabafo de mim para mim mesma. Minha garganta dói, como se segurasse algo desesperado pra sair. E o que sobe garganta acima são palavras desesperadas pra sair. Deixar sair tudo que tem me irritado, me chateado, me deixado triste, me deixado insana, me deixado em desespero. Mas algo não permite. Eu tenho que ser a boa pessoa que mantém tudo em ordem. Se eu não o fizer, quem o fará? As coisas perdem seus eixos. Se é que ainda estão nos eixos. De tanto tentar ser forte estou me sentindo fraca. Um milhão de coisas passam pela minha cabeça ao mesmo tempo, e as vezes parece que não vou mais conseguir respirar. O mais engraçado é que todos que olham para mim acreditam estar tudo bem. As pessoas se deixam enganar pelo que elas acreditam ser melhor enxergar. E a verdade é que, nesse momento, eu queria era fechar meus olhos. Não enxergar nada por uns 5 minutos. E deixar as lágrimas escorrerem. Mas nada disso importa. Amanhã vou acordar do mesmo jeito: garganta entalada, lágrimas que não se permitem sair, dor no peito, vontade de gritar. Vontade de explodir. Sozinha. Ninguém pra conversar. Eu vou acordar assim amanhã e depois de amanhã e depois e depois. Por dias incalculáveis eu acordarei assim. Até que eu finalmente perceba que esse mundo está estático, ao menos dentro de mim. Eu precisava de uma mudança. Preciso buscar novos rumos. O que mais me deixa assim, além do fato de eu ser eu e sempre ter essa angústia sufocante dentro de mim, é meu medo quanto ao meu futuro profissional. Eu devo ser racional. Devo deixar o que tenho agora. Devo buscar algo novo. Eu preciso de um futuro, estabilidade financeira. Eu não tenho nada disso agora, sendo uma mísera estagiária que é atolada de serviços pra ganhar uma mixaria no fim do mês. E ainda ouvir reclamações do tipo: você não vem horários o bastante. Devem achar que é fácil: ganhar pouco, trabalhar feito louca, não ser registrada, não ter qualquer tipo de benefício, e ainda entrar sorrindo por aquela porta todos os dias. Por um tempo até foi fácil. Mas hoje é o que mais me sufoca. Me sufoca saber não gosto das coisas como estão, mas que tenho medo de mudá-las. Preciso tomar meu rumo. Preciso de coragem. Preciso gritar tudo que está entalado na minha garganta. Se eu não tenho ninguém pra conversar, vai você mesmo blog! Eu não me importo de falar tudo pra você, mesmo sabendo que você não me dará qualquer resposta. Aqui posso desabafar porque ninguém mais lembra que isso aqui existe mesmo. Talvez seja meu refúgio. Talvez seja meu melhor amigo. E sabe de uma blog? As vezes percebo quando meu pai olha em meus olhos, que eu o desapontei. Eu o decepcionei. É como diria o fefe, esse sim, meu melhor amigo, que infelizmente sumiu da internet (nosso único meio de comunicação). Sim, Fernando Spillere, o Fefe, diria: "Às vezes o espelho me mostra um grande, extravagante e ambicioso projeto que deu errado". Mas não. Não é apenas o espelho que me mostra isso. Os olhos de meu pai me mostram isso. Dói como uma faca que atravessa o peito. Eu sou uma decepção destacada em vermelho. Eu queria tanto chorar agora, tanto. Eu queria abrir minha garganta a força e deixar ela gritar tudo que ela tem vontade. Deixar as lágrimas caírem, deixar meu rosto fazer a expressão de desespero de tudo que eu estou sentindo. Eu queria me sentir bem. Eu queria não me sentir tão sozinha. Eu queria o abraço de um amigo. Eu queria tanta coisa, mas tudo que tenho é isso que estou sentindo. É só isso. Tudo que eu tenho é meu desespero.
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